Minha Mãe Não é Alice – Terapia de Mãe

Eu não sou uma mãe Alice. Você é?
Recebi o texto abaixo da Patricia Lopes e logo me identifiquei. Tenho certeza que você também vai se identificar. Uma boa terapia para você!

Mãe Sem Frescura - Minha Mãe não é Alice - Terapia de Mãe
Texto da querida Patricia Lopes:

Sabe, doutor, eu acho que todas as mães do planeta se cobram, se culpam, se parabenizam e se questionam. Tem dias que nossos pensamentos tomam rumos perturbadores e outros dias, se pudéssemos, daríamos um abraço em nós mesmos pela paciência de ter concluído o almoço do filho. Parece que vivemos em um jogo de pontos: Se o filho obedeceu, ganha cinco pontos, se não quer tomar suco, perde dois pontos. E, no final do dia nos sentimos no vigilante do peso implorando por uma barrinha de cereal. Como calculamos esses pontos? Existe uma tabela padrão? Os outros veem nossas pontuações? Eu passo de ano quando atingir qual média? Não, porque se é para jogar precisamos de regras, certo? Errado! Eu sei!

Maternidade não é um jogo de perdas e ganhos, maternidade é um tabuleiro sem peças, cartas, pinos e fim! Maternidade tem apenas uma casa chamada: “Inicio”. E, aqui estou eu, tentando entender como se aprende, como se faz e como continua. Ninguém me ensinou. Eu não estudei essa disciplina. Não sei se estou certa ou errada. E, muitas vezes me sinto só! Aprendi que você pode se sentir só, mesmo estando rodeada de pessoas. A maternidade tem isso, principalmente no início, a mãe perde um pouco a vaidade, esquece-se dela, mistura a vida dela com o filho e muitas vezes não sabe mais quem é!

Eu já troquei pasta de dente por creme de assadura, já coloquei a sapatilha nos pés trocados, já andei com o carrinho faltando uma roda, já coloquei roupas que não combinam, já esqueci ano de nascimento, já coloquei a fralda errada, já dei comida que eu não gosto e já esperei ele dormir para comer um chocolate sozinha! Nesse dia perdi pontos, mas, não penso duas vezes em ficar com o bife menor.

Tem dias que queria uma noite inteira só pra mim e aí me culpo por pensar assim, tem dias que queria sair sozinha e aí me cobro mais. Tem dias que quero ficar grudada e agarrada com ele e aí penso que independência também é legal. Às vezes, é difícil entender o caminho certo e sorrir para si mesma, pensando “Mandou bem, mamãe”! Temos tantas perguntas, conversamos tanto e quando achamos que somos peritas na arte de maternar, vem uma vacina nova que divide opiniões. Sabe, doutor, eu já conheci algumas mães de pracinha que são celestiais e veem tudo cor de rosa. A sensação que eu tenho é que elas comem algodão doce pensando que estão comendo nuvens. Ok, já entendi! Viajei! Mas é mais ou menos isso. Fico pensando qual a pontuação delas e em que lugar no ranking ficariam.Sabe doutor, eu não sou mãe Alice e não moro no país das maravilhas! A mãe Alice toma chá e come “escargot”, eu quero tomar suco e comer um pão com Nutella! Essa é a nossa diferença! Quero ser normal, uma mãe normal. Quero rir da maternidade, quero rir das coisas chatas que meu filho faz e não quero receber olhares por isso! A maternidade traz um lado competitivo e comparações como “andar”, “falar” e “largar fraldas” são comuns em um mundo tão palpiteiro. Quero criar um filho normal sem tanta cobrança e expectativa! Quero que ele faça as coisas no tempo dele.
Acho que todas as mães do mundo vivem o antes e o depois do filho, como se os nossos pensamentos mudassem, nossas prioridades tomassem formas diferentes e nossa vida tivesse outro sentido! Um sentido muito lindo, mas que algumas vezes dá medo! Mãe é um ser medroso e corajoso, e esse paradoxo nos instiga e nos enfraquece! A gente nunca sabe se merece um tapinha nas costas em ter feito um bom trabalho! Nós não temos chefes e nem somos avaliadas por alguém, mas a nossa intuição vale como um mestrado!
Já acabou, Doutor? Falei muito né? Eu sei! Para acabar, queria saber só uma coisa: Você acha muita loucura criar um quadro maternal onde saberei minha pontuação no final do dia?
Já entendi! Obrigada, de nada!Quer saber mais da Patrícia Lopes?!
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