Adoção no Brasil – Entrevista com Luciane Cruz do blog Gravidez Invisível

Hoje o blog Mãe Sem Frescura entrevista Luciane Cruz, autora do blog Gravidez Invisível. Conheci a Luciane por acaso e fiquei curiosa para saber mais sobre um blog chamado “Gravidez Invisível” que em um primeiro momento não entendi o significado e em uma visita fiquei encantada com a forma que a adoção é abordada, promovendo sempre uma nova cultura da maternidade com links da chamada “gravidez da barriga” com a “gravidez do coração”.

O blog Gravidez Invisível visa desmistificar a parentalidade através da adoção. Atualmente está trabalhando em vários projetos na área, dentre eles desenvolvendo produtos para tornar visível a gravidez invisível e escrevendo um livro.
Confira a entrevista e se encante com a maternidade!
Mãe Sem Frescura - Adoção no Brasil - Entrevista com Luciane Cruz do blog Gravidez Invisível

1) Adotar um filho no Brasil não é uma questão simples e rápida. Qual é o principal motivo para esta longa espera?

Esta pergunta abrange muitos tópicos:

1º) O processo burocrático para obter a Habilitação para adoção: Temos que apresentar documentos pessoais em geral. Muitos pessoas pensam que tem que comprovar casa própria e renda elevada, o que é um mito. Na verdade o que é avaliado são as condições gerais da pessoa (s) para receber um filho na família. Esse processo inclui entrevistas com assistentes sociais e psicólogos. Após, é emitido um laudo técnico para que o juiz tome a decisão de deferir ou não a Habilitação para adoção solicitada. A demora desta fase depende de cada comarca. Na minha cidade este processo levou 9 meses, mas sei de pessoas que esperaram 2 anos e meio.

2º) Após a emissão da Habilitação para adoção, o seu nome é incluído no CNA – Cadastro Nacional da adoção. Este cadastro tem informações das crianças que vivem em abrigos que estão para adoção e faz o cruzamento com os pretendentes à adoção. Recentemente passou por uma atualização, cuja promessa é de agilizar este cruzamento. Nessa fase a demora vai depender do perfil da criança informado durante o processo. Se a sua habilitação para adoção é para um perfil determinado, ou seja, se você definiu que adotaria uma criança independente do sexo até 5 anos, sem irmãos nem qualquer tipo de doença tratável ou não tratável, você não será chamado se tiver uma criança de 2 anos mas que tem um irmão de 3 anos por exemplo. O seu perfil determinará o tempo de espera. Porém, sabemos que tem muitas crianças em abrigos que por falta de equipe técnica suficiente ainda não estão no CNA. Temos este e muitos outros problemas para sanar na questão da forma como são tratadas as crianças e adolescentes que estão em situação de risco ou sob a responsabilidade do estado bem como a questão do tratamento às famílias pretendentes à adoção.

2) A espera pelo seu filho Noah levou 9 anos. Como foi administrar esta longa jornada?

Na verdade eu digo que esperei 9 anos pois desde que casei em 2004 já falávamos em filhos. Mas tivemos um longo processo que envolveu mudança de país, cidades, etc. Entramos com o processo de habilitação de adoção em 2011. Mas esta gestação do coração não é nada fácil. São muitos pontos que tiram nosso sono: a sua barriga não cresce mas seu coração parece que vai explodir porém como é uma gravidez invisível, você não fala sobre o assunto toda hora (como acontece em uma gravidez biológica) sendo assim a ansiedade vai aumentando a cada dia…. A questão de não ter um prazo definido também é complicada… imagina esperar anos para pegar seu filho nos braços? Ainda se dissessem: olha em 2 anos será a sua vez, acho que seria mais fácil lidar, mas o não saber nada é avassalador.

3) No blog, você comenta que a adoção não é um plano B. Você pensa em ter um filho biológico?

No meu caso a adoção não foi um plano B e penso que nunca deve ser encarado desta forma mesmo que seja a sua única possibilidade para ter filhos, ela tem que passar a ser um plano A no seu coração, senão será apenas como uma decisão provisória. Você precisa querer e desejar ser mãe/pai por completo seja gerado na barriga ou no coração. Até porque todo filho precisa ser gerado no coração e o amor ultrapassa o período da gestação. No meu caso eu poderia engravidar através de tratamento, mas sempre tive a consciência de que o meu maior sonho era ser MÃE, independente da forma como meus filhos chegariam na família.

4) No momento, você passa pela segunda gravidez do coração. A ansiedade é a mesma da primeira?

Confesso que esta segunda gestação está um pouco mais tranquila afinal eu já sou mãe. Já tenho um filho que me chama de mamãe, que eu posso abraçar cuidar, amar. Mas claro que tenho os anseios de pensar onde está meu filho/filha hoje, se já nasceu, se está bem alimentado, se está com frio, se vai nascer, quando vão me ligar, será que vou estar pronta, não tenho enxoval pra ele/ela como vai ser aquela correria de novo pra encontrar e comprar tudo que precisa no início, etc.

5) Fazer um link da gestação da barriga com a gestação do coração nos seus textos tem ajudado a sociedade a compreender melhor esta nova cultura da maternidade?

Olha, eu penso que sim. Me ajudou bastante a entender os sentimentos que eu tinha e tenho como uma gestante do coração. Eu não conseguia descrever antes. Fui aos poucos conseguindo reunir as palavras que usamos no dia-a-dia e ter o vocabulário desta gestação. Recebo muitos emails e mensagens de homens e mulheres que se identificam com essa linguagem e tem sido muito bom fazer parte desta nova fase das famílias formadas pela adoção. É uma fase onde estamos aprendendo a enxergar as particularidades deste processo, sua beleza, alegria, verdade e todo o amor envolvido. Mas ainda temos muito que melhorar com relação a consciência coletiva do brasileiro sobre o que é uma família formada pela adoção. Nenhuma criança/adolescente merece viver em um abrigo, sem família e amor. A mudança deve começar em nós. Pra que haja mudança precisamos fazer parte dela. Gostaria de deixar uma pergunta aqui: Vocês já pensaram na possibilidade de adotar uma criança/adolescente? Pense nisso com carinho e responsabilidade. Só posso dizer que o amor ultrapassa qualquer barreira. Sou muito grata à Deus pelo presente que Ele me deu de fazer parte dessa causa e fazer dela a minha missão.

Beijos com amor, Luciane

Mãe Sem Frescura - Adoção no Brasil - Entrevista com Luciane Cruz do blog Gravidez Invisível

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